A comercialização de café da safra 2025/26 está em um ritmo bem lento, em 13%, e sob pressão de faltar grão para a indústria nos próximos meses. Porém, nas origens produtoras, produtores demonstraram otimismo em relação ao desenvolvimento das plantas de café nos primeiros dez dias de fevereiro, em especial nas lavouras de arábica.
Se confirmada a percepção, o mercado pode esperar uma acomodação nos preços de café. O levantamento é da consultoria Safras & Mercado e abre margem para uma revisão para cima da produção do arábica para 2025/26, apesar de ainda não citar um novo número.
Até dezembro, a consultoria trabalhava com o número de 38 milhões de sacas de café de 60 kg a serem colhidas no Brasil na temporada nova, versus os 45 milhões de sacas em 2024, lembrou o analista de café da consultoria, Gil Barabach, após visitar lavouras em Minas Gerais e São Paulo no início do mês.
Em relação às vendas do ciclo 2025/26, o analista atualizou o número da consultoria, divulgado na semana passada, e disse que estão em 13% – média para arábica e conilon no Brasil. O número é bem abaixo do que é praticado nos últimos anos no Brasil, acrescentou.
Já o fluxo de vendas da safra de 2024/25 acelerou diante dos preços altos nas bolsas e chegou a 90%, restando apenas 10% para movimentar no mercado. De acordo com o analista, o “enxugamento” da oferta vai mudar a estratégia dos vendedores, provocando um ritmo “cadenciado” na comercialização do que ainda sobra de café na mão do produtor.
Apesar da expectativa estar melhor, Barabach sugere aguardar o comportamento climático no início de março para verificar as reações vegetativas da planta de café. Ele acrescenta que o alerta continua para um “bolsão de calor” nas origens produtoras.
Em Patrocínio, região do Cerrado Mineiro, não chove há 23 dias, cenário que pode prejudicar a granação antes da colheita.
Por outro lado, os preços altos devem motivar o produtor ir a campo antes do calendário. “A safra 2025/26 pode chegar mais cedo, em abril, para aproveitar a onda de preços”, afirmou Barabach. Com o calendário de colheita antecipado, a cadeia passa a negociar baseado em dados concretos.
Agora, o mercado ensaia quedas nas cotações nas bolsas de Nova York e Londres. Para o analista da Safras, os próximos dias devem apontar para uma consolidação da correção técnica dos preços do café, “esperando um sinal mais claro da safra no Brasil e da florada no Vietnã”. A curto prazo, o mercado deve acompanhar uma acomodação dos valores, comentou Barabach.
Fonte: Globo Rural (Por Isadora Camargo)